TERRA DOS BACOS VACANTES


04/06/2006


CARTA À PROFESSORA BETH

Minha amiga,
recebi o seu e-mail sobre as "frases para a juventude". Não pude deixar de comentar. Passando dos trinta (e me tornando um balzaquiano,se é  que esta categoria existe para os homens), penso  nestas questões, colocando-me como parte ínfima deste processo de longa duração.
Quando entrei para a PUC não tinha vinte poucos anos. Vi uma linda senhora(ai meu Deus, será que posso dizer desta forma) que falava do meu mundo. Como era inocente... nada sabia sobre ele. Via nela a revolução. Nada para mim poderia ser o mesmo novamente.
Lembro-me especialmente da sua perspectiva existencialista(eu nada sabia sobre Beauvoir), no sentido de assumir sua liberdade e não ter medo dela. A liberdade trás  sofrimento e angústia, mas aquela senhora trazia-me segurança para desejar ser livre. 
Da necessidade de agradecer-lhe, cheguei a ser submisso. E aquela senhora me repreendeu. "Nunca agradeça tanto  meu amigo!!!!"
Portanto, não concordo com a propositiva de que nada mudou nestes últimos 4000 anos, tanto em relação aos jovens, quanto em relação aos que os julgam.
Considero que o individualismo da modernidade tardia alimenta a dificuldade de visualizar que as coisas mudam. No entanto, tenho também a esperança de que, para além dos conflitos, podemos gerar consensos.
Portanto, não me vejo no meio do caminho entre  o julgado e o julgador. Aprendi com aquela "senhora" que nada disso é relevante. O que importa é a amizade e a liberdade. O resto é  o mundo. 

Escrito por LUIZ OTÁVIO CORRÊA às 11h49
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