
Baco de Caravaggio
Nas sociedades modernas o indivíduo é agente social do processo histórico. A coletividade é o espaço de atuação deste indivíduo, é onde ele se encontra, onde é reconhecido. O homem respeita e transgride certos padrões de conduta, na dialética das representações coletivas criadas por este ser humano para poder sobreviver nesta coletividade e para exercer a dominação. O homem age, intersubjetivamente, criando espaços de interlocução com a totalidade, com o que é de todos. Esta dialética é a própria história da humanidade e foi concretizada pela divisão do trabalho e pela exploração do homem sobre o próprio homem através do trabalho.
Muito além da sobrevivência o homem sonha, cria utopias. Elas ajudam o homem a socializar-se e transformar sua realidade. Através dela é que o homem é capaz de tornar- se um agente histórico. Utopias são projetos. Não são imutáveis, nem são dogmas. As utopias são frutos da modernidade.
A pós- modernidade quis inaugurar um novo momento histórico, explodindo a história. Na falácia pós-modernista, o presente não é mais dialético, não é crítico. Os críticos pós-modernos estavam certos quando dizem que a modernidade é totalitária, pois iguala os diferentes. a diversidade e a individualização que é fruto desta própria modernidade. Que contradição. Quem criou o indivíduo, quer reprimi-lo, roubar seu corpo, cibernetizá-lo. Realmente o tecnocracismo imperrou a emancipação do ser humano, tanto no capitalismo quanto no socialismo real.
O capitalismo conseguiu cooptar a classe trabalhadora com o Estado de Bem Estar Social, pra depois dar o golpe neo-liberal. A ilusão positivista(Durkheiminiana) de que atingiríamos a felicidade humana através da cooperação entre as partes provocou uma rachadura no sonho da revolução mundial da classe trabalhadora. Quebrado o sonho da revolução internacional dos trabalhadores, o capitalismo abriu espaço para a profunda reformulação que viria a partir da década de 1970, criando mecanismos que promoveram a flexibilização das estruturas políticas e sociais deste modo de produção. O sonho da cooperação foi-se ralo(falo) abaixo. Mas o neo-liberalismo fracassou.
Do outro lado, o tecnocracismo stalinista foi ainda mais poderoso e mais concentrador. O socialismo real deixou transparecer sua mazela maior: a falta de liberdade individual concretizada na burocratização do Partido Comunista. Um capitalismo de Estado, altamente centralizador, foi “o possível” do sonho de libertação da classe trabalhadora. A China, sob o ponto de vista da exploração do trabalhador, não tomou rumo diferenciado.
O mundo incivilizado
Segundo Richard Sennet, o declínio da palavra provocou a criação de um mundo incivilizado. O ação social, que Sennet identifica como típica do republicanismo iluminista, cede espaço à performance pós – moderna. O humanismo, que tinha como balizar o individualismo iluminista, foi substituído pela necessidade e pelo pragmatismo. Faz-se o que se é possível e não o que se sonha.
A teoria pós-moderna transformou o horror em questão estética. Se a palavra já morreu, parafraseando Brant, a utopia do pós-tudo refugia-se no pragmatismo incolor dos partidos de esquerda, que vestem a camisa da burguesia.
As cidades criam simulacros, como os Shopping Centers, refúgios da sociabilidade vazia. O sonho é o Nike e a cidadania é o consumo. Comem no MC Donald a frieza da globalização e as minhocas da esperança perdida. As minhocas da liberdade foram mortas pela devastação ambiental. A classe média, que usufrui das benesses da globalização tardia, só faz reforçar a sua pobreza intelectual e humana.
A burguesia, que criou a industria cultural por que não entendia a dimensão crítica da arte nobre, agora prepara-se para uma nova etapa: a eliminação de qualquer manifestação crítica do homem. Prepara-se a reconversão da cultura, deslocada para a esfera do consumo.
Desta forma, cresceram vertiginosamente as pessoas que procuram se salvar nos livros que prometem a auto- solução. Já que não é mais possível uma transformação do homem, que o narciso seja alimentado de remédios, de drogas aprovadas pelo Estado e vendidas nas piores livrarias das grandes cidade.


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